segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dois shows em um só

Ontem, assim que desliguei a televisão depois da transmissão do show do Kings of Leon, senti uma coisa mista dentro de mim que não sei se serei capaz de transmitir através deste texto. Na verdade o texto está sendo escrito pra Má, que está em Berlim, e nem pela tevê pôde assistir. Mesmo já os tendo visto este ano em Londres (clique aqui para ler no blog dela sobre o show), eu sei como doeu nela não ter ido neste show deles aqui no Brasil. Sei, porque assim como ela, eu não aguentava mais ler os tweets do Nathan dizendo que “o Brasil esteja preparado pra mim” ou contando como já estava bêbado em São Paulo – isso à tarde!

Foi uma semana difícil de aguentar por causa do pouco contato que tive com a Má e pelo SWU. Desde ontem acompanho pela tevê o Festival, e não me doeu ver o Los Hermanos porque os verei em quatro dias, mas me dói muito saber que não terei as meninas aqui comigo nesse dia. Enfim, não vou falar sobre isso agora, o foco de hoje é a transmissão do show do Kings.

Antes de tudo, preciso de um momento desabafo pra esclarecer o meu desafeto pela Luísa. Não tem jeito, ela sempre está nos shows que eu sofro porque gostaria de ir – vide 2007, Tim Festival, Arctic Monkeys, coisa de novela mexicana. Só que dessa vez ela exagerou! Além de estar lá ousou cometer gafe dizendo que a banda é toda em família, ok, são três irmãos, ok, e um primo, o Nathan... cri, cri, cri. Fail, Luísa. Tiveram que deixar ela improvisando porque o show atrasou e eu estava cada vez mais tensa com a hora, porque “a banda só autorizou que fossem transmitidos os primeiros 45 minutos do show” como a mesma disse. E assim começou minha obsessão pelo relógio, e consequentemente a nossa guerra: quanto mais o tempo passava, mais raiva/tristeza eu sentia.

A primeira música da noite foi Crawl, a mesma do show da Má em Londres. Minha memória me levou instantaneamente até aquela tarde em que eu ouvia pelo skype o show do Hyde Park, e fiquei pensativa e só cantei no refrão. Mas em alguns momentos como em Molly’s Chambers, a segunda do setlist, eu cantava sem pudores, como se estivesse lá e ninguém pudesse destacar minha voz dentre as demais – só que meus pais estavam aqui e devem ter pensado que eu estava louca. My Party foi a terceira música e eu podia ouvir perfeitamente a Má cantar o refrão “she saw my party, she saw my party”, era minha mente me levando até Londres mais uma vez. A quarta foi Be Somebody, peguei o celular e escrevi pra Nat “be somebody euri” e ri mesmo. Antes que Mary começasse, Caleb foi até o microfone e disse “obrigado”. A cada música ele parecia se soltar mais. Acabada Mary, mais uma vez ele se dirigiu ao público “it means the world for us” e alguém traz pra ele um copinho que ele vira em um único gole, devia ser cachaça.

A próxima música era Fans, fecho os olhos, e novamente estou no Hyde Park, ouço todos gritando “oh the London scene! Cause England’s Queen makes you love the tales I breathe.” Abro os olhos, e me lembro que é tudo dentro de uma tevê, até que Caleb joga uma palheta na platéia, palheta provavelmente semelhante à que em junho bateu na Má e se perdeu na multidão de pessoas. A sétima música foi Reverly, seguida de Closer. Wow, Closer. Não preciso descrever a cena de Matt tocando guitarra com a boca né. A câmera fechava no Jared e seu baixo por segundos, e eu sorria, lembrando da Sis. Em Four Kicks Nathan batia tão forte, que eu juro, eu podia sentir meu coração batendo no mesmo ritmo.

The Bucket merece um parágrafo só pra ela. Foi quase um tapa na cara essa música. Minha garganta deu um nó, não me deixando cantar nada. Só levantei os braços e fiz cara de choro, depois pus a mão embaixo do queixo e pensava “isto não pode estar acontecendo”. Dessa vez eu sabia que não demorava muito até que a transmissão terminasse porque foi assim no show de Londres: duas músicas depois dela o celular da Má descarregou e a partir de então eu e a Nat só imaginávamos o que se passava por lá.

“Do you guys mind if I have a drink?” Caleb mais uma vez interagia. Pra minha alegria, não foram transmitidas apenas duas músicas como eu esperava, mas sim três! As três últimas músicas da minha noite foram Notion – a melhor do Only by the Night –, Radioactive – o melhor solo do Come Around Sundown – e Sex on Fire – sinto vergonha da música, mas não tem como não achar arrepiante ver todo mundo ali cantando e pulando de braços abertos.

Minha atenção estava dividida entre a tevê e o grande vilão da noite, o relógio. Haviam passados os 45 minutos exigidos pela banda, e então resolvi desencanar de vez do relógio, deviam ter esquecido que eram só 45 minutos. Parece ironia, mas foi sério, foi só pensar isso que a câmera começou a se afastar do palco, até que outra fecha na Luísa, e é o que parecia ser o fim. Enquanto a Luísa falava eu me congratulava por não ter chorado, e tentava ouvir o que o Caleb falava para o público, até que ouvi a introdução da música que eles iam prosseguir tocando, “she said call me now baby, I’d come running”. On Call. Não deu pra segurar as três ou quatro lágrimas que jorraram dos meus olhos.

Acabou mesmo. Entrei no meu quarto com uma sensação estranha de ter vivido um déjà vu de 50 minutos. Foram dois shows diferentes, eu sei, mas nada tirava da minha cabeça que os dois tinham sido uma coisa só. Piii-piii, meu celular apita, mensagem da Nat, porque mais uma vez ficamos só imaginando como foi o resto do show.

Edit: Um postscript. Alguns dias depois, lendo as críticas, fiquei sabendo do que não deu pra perceber enquanto eu assistia pela televisão (primeiro por causa do meu estado emocional, segundo porque, ora, era na televisão). Noventa porcento daquele público não merecia estar ali, e depois a banda levou a culpa de ter feito um show 'morno'. Ah! O que escrevi aqui mostra que esse show poderia ter sido tão bom quanto o do Hyde Park, e - eu vou ser egoísta - ainda bem que não foi, assim a Má - e consequentemente eu e a Nat, afinal de alguma forma nós estávamos juntas ali - não perdeu muita coisa. Então, só pra corrigir, o show do SWU apenas me remeteu ao do Hyde Park, porém, este último foi, para nós, único.

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